quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Antonio Passos e sua vida de parlamentar


Antônio Passos nasceu em 28 de agosto de 1951, na cidade de Ribeirópolis (SE). Seus pais: Francisco Modesto dos Passos e Maria de Lourdes Passos. Considera o pai como seu grande ídolo. Uma grande figura como pai, como esposo, como sogro de alguns e avô de outros, e bisavô de outras figuras que Antônio Passos considera importantes em sua vida. Como homem público, foi prefeito por dois mandatos da cidade de Ribeirópolis. Fez com que a cidade tivesse uma outra cara. Comandou o município de 1958 a 1962 e voltou a exercer o mandato em 1970. Na primeira administração, a cidade de Ribeirópolis teve o privilégio de ser o quarto município de Sergipe a ter energia da Hidrelétrica de Paulo Afonso. Por várias anos, a prefeitura era concessionária de energia no município e isso aconteceu até 1973, quando por força de um decreto federal encampou-se essas concessionárias à Energipe. "Em 1970, quando meu pai volta a ser prefeito, faz convênio da prefeitura com o Dnocs e concretiza as obras de abastecimento de água da cidade. Marcas do Chico Passos como prefeito. Como deputado estadual ele teve oito mandatos. Chegou à Assembléia no ano de 1955 e deixou a Casa em 1995. Por duas vezes foi presidente da Assembléia, eleito por unanimidade, coisa só empatada com Antônio Passos. Foi presidente de todas as comissões temáticas e era um homem conciliador".

Quando entrou para a política, Chico Passos ensinou ao filho que deveria sempre conciliar e isso foi a razão da chegada de Antônio Passos à Presidência da Assembléia Legislativa. "Ele sempre me dizia: não crie problema para os outros, pois quando você cria para os outros, está criando para você. A gente deve procurar soluções que não atrapalhem ninguém, e só faz engrandecer".

Ainda do seu querido pai, Antônio Passos registra a vida de industrial por mais de 50 anos, no comando de uma indústria de beneficiamento de algodão ao lado da esposa. Conta que além da política, com ele aprendeu a preservar as amizades.

De sua mãe, que além de cuidar do marido e dos cinco filhos, dedicava parte do seu tempo para administrar a indústria, no lugar do esposo, quando Chico Passos passou pela prefeitura municipal de sua terra natal e Assembléia Legislativa de Sergipe, herdou a paciência. "Mulher batalhadora, ia conferir na escola como estavam os filhos nos estudos. Hoje, tenho certeza que é o braço forte do Chico Passos. Ele hoje, numa cadeira de rodas, dependendo muito das ações de dona Lourdes".

Na Escola Abdias Bezerra, na rede estadual de ensino, o então menino Antônio Passos inicia os estudos na cidade de Ribeiróplis, com a professora Maria Celuta de Souza. Na continuidade do curso primário, estuda com as professoras Ivanilde Souza e Maria José.

Vem para Aracaju e chega ao final do curso como aluno do Colégio Jackson de Figueiredo. No mesmo colégio, faz o ginásio. "Com o professor Benedito e a professora Judite tive muita experiência de vida. Eles transmitiam muita seriedade. A professora Judite fazia que seus alunos não fossem inibidos. Nós tínhamos 20 minutos diários para a preleção da professora e ela sempre procurava saber dos alunos que data estava sendo comemorada naquele dia. Se era Dia do Índio, chamava um aluno para falar sobre o Dia do Índio. Isso tirava a inibição dos alunos que passavam a não ter medo do uso dos microfones e com isso eles aprendiam a falar em público".

Faz o primeiro ano científico no Colégio Atheneu e pela criação do curso clássico no maior colégio da rede estadual de ensino passa a estudar no novo curso no segundo ano e chega ao final do segundo grau. Tem boas lembranças dos professores do Atheneu: professora Maria Augusta Lobão, Leão Magno Brasil, professor Leônidas e outros.

Desde criança já pensava em fazer alguma coisa que pudesse ajudar o pai na política. "A carreira que deslumbrava mais nessa área era o Direito. Só que Chico Passos tinha uma idéia: queria que a gente fizesse Direito, mas não era para o exercício da política. Queria ter um filho no Poder Judiciário. Terminou a gente ficando no Executivo e no Legislativo" (risos).

Depois de fazer vestibular com sucesso, ingressa na Faculdade de Direito, no ano de 1973. Desse tempo não esquece das aulas dos professores Artur Oscar de Oliveira Déda, Luiz Carlos Fontes de Alencar, Luís Pereira Melo, Jussara Fernandes Leal, professor Monteirinho, Silvério Fontes e outros bons professores. Cola grau no ano de 1976.

Antes de concluir o curso superior, faz estágio sob a orientação do professor Anderson Nascimento, na Vara Criminal e na Justiça do Trabalho.

Já formado e inscrito na Ordem dos Advogados, monta escritório e começa a trabalhar juntamente com o colega de faculdade José Afonso do Nascimento. "Um dia desse era pró-reitor da Universidade Federal de Sergipe. Afonso era meio nervoso. Uma certa feita nós fomos para o Fórum de Frei Paulo e quando olho estava Afonso com o terno quase todo molhado. Engasgado, não saía nada (risos). Tive que substitui-lo. Afonso chegou para mim e disse: ‘Antônio, essa profissão não vai dar para mim. Tenho que ser professor’. (risos) Disse para ele que não existia nenhuma diferença entre estar diante dos alunos e na frente de Manoel Soares Pinto, que era o juiz de Direito. Ele concordou comigo e continuei a incentivá-lo a continuar como advogado".

Mais adiante, o advogado Afonso Nascimento deixa o escritório de Antônio Passos. Outros profissionais da área também fizeram parte da história da vida de Antônio Passos como advogado. "Trabalhei muito na área civil e criminal".

Quando completou 18 anos de idade, em 1969, começa a trabalhar como funcionário público estadual, no Instituto de Previdência do Estado (Ipes). "Era um escritutário datilógrafo. Depois fui assumindo determinadas funções administrativas. Fui chefe do setor de identificação, chefe da carteira de empréstimo e quando me formei comecei a auxiliar o Dr. Ismael Costa Moura no setor jurídico, mas passamos alguns dias, pois fomos eleitos prefeito da cidade de Ribeirópolis".

Anos depois, volta ao Ipes na condição de procurador. Em 1993, foi diretor de Patrimônio do Estado e no ano de 1994 assume a diretoria financeira da Deso.

Registra que começou a trabalhar desde a época de estudante do Jackson de Figueiredo em suas férias escolares. "Eu ia para Ribeirópolis brincar e Chico Passos dizia: ‘Tenho um serviço para você’. Aí mandava a gente anotar uma carrada de algodão que chegava, pesar e levar o resultado para ele. Chegava no final do dia dizia: ‘Vou pagar os outros e também a você’" (risos).

Disputa o mandato de prefeito em 1976, é eleito e toma posse em janeiro de 1977. Tão logo chegou à prefeitura, deu prioridade à educação e o resultado foi dos mais proveitosos. "Tenho uma marca ainda hoje. As cinco maiores escolas existentes na sede do município de Ribeirópolis são municipais e foram obras de Antônio Passos. Um dos maiores colégios de Sergipe ainda hoje é o Colégio Josué Passos, que tem tido um grande sucesso na aprovação de rebeiropolitanos no vestibular tanto da Universidade Federal de Sergipe como da Unit e faculdades particulares que surgiram em Sergipe. O Colégio Leniza Menezes também é uma grande escola. Além dessas duas construímos as escolas Maria do Carmo Santos, Centro Educacional Regina Passos hoje, mas na época que inaugurei era outra denominação, e mais o Colégio Maria Alaide de Menezes".

Ao sair da prefeitura, volta ao Ipes como procurador e a prestar serviços para o seu pai. "Os clientes de Chico Passos eram não só em Ribeirópolis como em Aparecida e outros municípios. "Era Sergipe inteiro. Cheguei a ter, certa feita, 400 ações na Comarca de Ribeirópolis. Mas Justiça gratuita. Fazia o papel de Defensor Público (risos). Nesta brincadeira, 10 anos ou mais" (risos).

Em 1988 volta a ser prefeito de Ribeirópolis e sai no ano de 1993. O que marcou nessa segunda administração foi a conclusão de todas as obras de saneamento básico na cidade e pavimentação de 222 metros de rua, que não é uma coisa tão simples, como comenta.

Em 1994 é convocado por Chico Passos para comparecer à Assembléia Legislativa. "Quando cheguei ele foi logo dizendo. Hoje é o último dia e se você quiser ser candidato terá de se afastar da diretoria da Deso. Estou com 78 anos, 40 anos de deputado, os funcionários se aposentam com 70 anos e, se for eleito, vou ultrapassar essa marca. Se você quiser vai disputar a vaga de deputado, pois agora eu vou descansar um pouco. Vou lá para Ribeirópolis, cuidar da minha empresa. Isso era seu desejo".

Antônio Passos se elege deputado estadual e por três legislaturas está na Assembléia Legislativa de Sergipe, sendo dois na sua presidência. Todas duas eleito por unanimidade.

Da sua passagem pela Assembléia, presença em quase todas comissões. "Poucas que não participei e várias que fui presidente. Como advogado, certa feita, me deram a Comissão de Constituição e Justiça para ser presidente. Na mesa diretora, quando cheguei à Assembléia, no dia da posse, já comecei como segundo secretário.

Casou com Fátima Regina Céspedes em 1980 e do casamento os filhos Georgeo Antônio, Angelo e Gabriela. "Georgeo é advogado, Angelo é administrador e Gabriela forma-se esse ano em direito.

É presidente da comissão interestadual formada para cuidar dos problemas do rio São Francisco. "No ano de 1991, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais fez o convite para as Assembléias de Sergipe, Pernambuco, Bahia e Alagoas, para participar dessa comissão que estava sendo criada. A comissão vinha funcionando e quando assumi a presidência da Assembléia, numa reunião em Minas Gerais, resolveram eleger o presidente da Assembléia Legislativa de Sergipe, Antônio Passos, e durante três anos estamos nessa missão. De vez em quando marca-se uma reunião num determinado Estado, ouvindo cientistas, ouvindo comunidades ribeirinhas e outros convidados. Essa comissão elaborou vários documentos e encaminhou ao governo federal mostrando a falta de saneamento, os problemas que existem no Brasil de uma maneira geral ao longo do rio São Francisco. São 503 municípios e praticamente os 503 a despejar os esgotos no rio. Também essa comissão se manifestou contra a transposição que é um projeto de irrigação. Economicamente é muito mais viável irrigar as margens do são Francisco em Minas Gerais, na Bahia, em Sergipe, Pernambuco e Alagoas do que levar a mil quilômetros de distância essas águas".

Pela ausência do governador João Alves Filho no Estado e ausência da vice-governadora Marília Mandarino, Antônio Passos, na condição de presidente da Assembléia Legislativa, assume o governo de Sergipe. "Durante oito dias nós estivemos no exercício, no cargo de governador".
Como tem sangue político, a certeza: é cedo para deixar a política.